-Bom dia, Sr. Jaderson eu sou o delegado Heriberto de Leon do 74° D.P. e venho lhe assegurar que na grande maioria dos procedimentos apuratórios a coleta dos depoimentos de testemunhas são de grande importância para que se entendam os fatos, embora pareça não é tão simples quanto pode se presumir em um primeiro instante, por isso gostaria que o senhor ficasse calmo e tentasse se lembrar com a maior clareza possível, o que realmante aconteceu na manhã de hoje. --Podemos começar?
Foi neste clima tenso e confuso que se deu início ao meu interrogatório a respeito do "corpo estendido no chão", nome ao qual me referi internamente aquele sujeito estirado à minha porta logo pela manhã, e eu que só queria ler o jornal nosso de cada dia...
Continuou o delegado, senhor de meia idade, já calvo, colecionador de olheiras e marcas de noites mal dormidas
-O senhor poderia descrever o ocorrido, por favor?
Respondi-lhe:
-Claro tentanto encontrar num pigarro um bom início para uma frase, fui dizendo: doutor como de costume acordei às 6 da manhã e após conferir o relógio pulei da cama e fui ao banheiro tentar despertar, quando estava ainda estava entrando no banho e escovando os dentes, ouvi a campainha tocar. Enxuguei-me rapidamente e sai correndo pra atender, pra minha esposa não acordar, ela sempre acorda de mau humor!
Ao que o próprio doutor Heriberto me responde, quase rindo, "eu que sei"...
Mas continuo a lhe dizer, ao olhar e ouvidos atentos do escrivão,
- Assim ao chegar à porta e destrancá-la levei um grande susto! Na minha porta havia um homem caído!
E assim prossigo:
-Ao ver aquele corpo caído, a primeira reação foi olhar ao redor, mas não havia ninguém por perto, dessa forma como em um filme, doutor, corri e me abaixei para ver se o tal homem ainda estava vivo, mas ao tocá-lo senti que ele estava frio e rígido! Quando dei por mim pensei: meu Deus! Um cadáver!
Com um uma cara de quem diz "e daí?" O doutor Humberto me olha de cima em baixo e me pergunta com olhar distante:
-O senhor ouviu algum barulho antes? Um pedido de socorro? Tiro, ou algo assim?
Já quase gelado respondo:
-Não senhor, apenas a campainha...
É quando o delegado me olha nos olhos e diz de maneira sarcástica:
-E o que você fez então, meu rapaz?
Respondi engolindo a seco:
-Sai correndo e liguei para a polícia, doutor.
Pra finalizar o homem da lei ainda me diz:
-Algo mais para acrescentar senhor Jaderson?
Com certo alívio o digo, com voz embargada e gagejando, "não doutor".
A última do delegado Heriberto de Leon foi pura e simplesmente:
-Entraremos em contato em breve, está dispensado.
Jaderson H enrique Zeferino de Almeida
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